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domingo, 7 de março de 2010

мαяℓєу & єυ

Uma ótima opção de entretenimento para rir, chorar e se deliciar nas confusões de um cachorro que o filme faz parecer tão único, mas que, olhando de perto, poderia muito bem ser o seu.
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MARLEY & EU
Diretor: David Frankel
Produtores: Gil Netter e Karen Rosenfelt
Distribuidora: Fox 2000 Pictures
Gênero: Comédia/Drama
John (Owen Wilson) e Jennifer Grogan (Jennifer Aniston) casaram-se recentemente e decidiram começar nova vida em West Palm Beach, na Flórida. Indeciso sobre sua capacidade em ser pai, John aceita a sugestão de seu melhor amigo e adota Marley, um labrador de 5 kg que logo se transforma em um grande cachorro de 45 kg, fazendo da casa deles um caos.
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COMENTÁRIOS
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Eu ganhei o livro Marley & Eu no Natal de 2008 e comecei a lê-lo aos poucos, mas, de repente, me vi completamente preso à história que havia em suas páginas. Era de uma pureza, de uma bondade e de uma paixão tão grande que às vezes me pegava perguntando se aquilo realmente poderia ter acontecido. O filme, por incrível que pareça, tem exatamente o mesmo tom íntimo que as páginas do romance trazem e é a adaptação cinematográfica mais bem feita e fiel que um livro poderia exigir.
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O filme, apesar de ter uma história tão simples, é atraente em todos os aspectos, do crítico ao técnico. Começa com um casal que tem a vida toda programada pela agenda de Jenny (a ótima Jennifer Aniston, de Friends.), mas, inesperadamente, seu marido John (o também adorável Owen Wilson) lhe presenteia com um cachorro de liquidação, que passam a chamar de Marley. A família se inicia nesse momento.
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Marley causa uma série de infortúnios ao mesmo tempo em que é o grande motivo da felicidade do casal, que se prepara para ter o primeiro filho. Ele está presente em todos os momentos e é visível como ele é muito mais que apenas um cachorro.
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O filme não peca na cronometragem e tem o tempo exato que poderia ter; são poucos os que se estendem por duas horas sem cansar o público. As atuações vindas de todos os atores são ótimas, os planos de filmagem – quase sempre abertos para mostrar belas paisagens – estão muitíssimo bem trabalhados, a fotografia é iluminada como a história pede e a trilha sonora não poderia ser melhor – em alguns momentos o silêncio também ajuda a fazer o clima (por exemplo, na volta do casal após a primeira visita frustrante ao médico).
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Apesar de não ter do que se queixar, o público de Marley & Eu não vai se lembrar do filme pelas atuações, planos ou o que quer que seja, mas sim pela mensagem de amor contida nele; uma família que começou apenas com dois, mas que foi se tornando maior, sempre alegrada pela presença de um cachorro que muitos de nós temos em casa e não sabemos. Ao final, é impossível não se emocionar com o questionamento de John, que percebe que mesmo Marley sendo um cachorro, aprendeu com ele muito mais do que com humanos que passaram por sua vida. A quantas pessoas você daria seu coração e receberia de volta todo o amor? Quantas pessoas você conhece que são capazes de te fazer sentir verdadeiramente amado, único e especial?
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Nota: 10
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Post dedicado à minha amiga Letícia por razões que ela sabe muito bem, mas, acima de tudo, por ter sido uma espécie de Marley - no bom sentido - para mim.

sábado, 30 de janeiro de 2010

α óяfã


Quem espera encontrar um filme de terror em A Órfã pode acabar um pouco desapontado, mas se souber mudar o ponto de vista, vai perceber que é muito melhor que isso; é um excelente filme de suspense dramático.
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A ÓRFÃ
Diretor: Jaume Collet-Serra
Produtores: Leonardo DiCaprio e Susan Downey
Distribuidora: Warner Bros. Pictures
Gênero: Terror
John e Kate passam por uma tragédia familiar. A perda de um de seus filhos faz com que, embora ainda tenham outros dois, resolvam procurar ajuda de um orfanato a fim de adotar mais uma criança. Mesmo depois de alertados das dificuldades de se adotar crianças já crescidas, a aparente maturidade e carisma de Esther os conquista prontamente. A menina, no entanto, mostra-se maléfica, levando toda a família à loucura.
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COMENTÁRIOS
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O grande problema desse filme é que ele foi vendido (pelos trailers e spots de TV) como um grande terror, o que o diretor Jaume Collet-Serra deveria ter impedido seriamente, pois sabia muito bem que seu filme não era o que estavam dizendo. A Órfã simplesmente conta o drama familiar de um casal com dois filhos que esperava o terceiro e, depois de perdê-lo, resolve adotar uma garota já crescida, Esther. Logo eles percebem que ela é um pouquinho estranha; pensa, fala, se veste como adulta, chegando até a causar arrepios neles.

Ao longo da projeção, o telespectador percebe que aquilo que seria um filme de terror não passa de um suspense, mas de ótimo nível. Esther deixa de ser a criança educada e gentil e passa a revelar um lado sombrio, cada vez mais disposta a ter os pais só para si. A fotografia não abandona o tom escuro, apenas para aumentar a apreensão e transmitir ao público o clima que envolve os personagens, e a trilha sonora está muito bem trabalhada, assim como as atuações, principalmente pela parte da russa Isabelle Fuhrman.

O filme nada mais é que uma investigação da mente perturbada de uma garotinha recém-adotada, mas, por mais que se tente ficar ao lado dela – com a justificativa de que ela está confusa – fica difícil ao ver que realmente há algo de errado com Esther. O jogo pela família começa e não há como tirar a garota da casa. Ela – que maquia um segredo responsável pela grande surpresa do filme – tem as rédeas da situação e muito mais astúcia do que aparenta.
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Nota: 8,5

sexta-feira, 22 de maio de 2009

αиנσѕ є ∂ємôиισѕ


Para quem não leu o livro. É assim que este filme pode ser classificado, pois aqueles que o leram com certeza sentiram falta de toda a delicadeza dos personagens, emoções e até mesmo da tensão sexual entre Robert e Vittoria que as páginas escritas por Dan Brown nos proporcionaram. Contudo, como o filme é uma adaptação, ele não tem a mínima obrigação de seguir à risca o livro, portanto, vou tentar - caso eu não consiga, não se surpreenda - escrever a resenha do ponto de vista de alguém que não leu o livro, deixando as comparações somente para o final.
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ANJOS E DEMÔNIOS
Diretor: Ron Howard
Produtores: Columbia Pic./Imagine Ent./Sony Pic.
Distribuidora: Sony Pictures
Ano: 2009
Gênero: Drama
Quando Langdon descobre evidências do ressurgimento de uma irmandade secreta milenar conhecida como Illuminati, a mais poderosa organização secreta da história, ele enfrenta ainda uma ameaça fatal à existência do inimigo mais desprezado pela organização secreta: a Igreja Católica. Unindo forças com Vittoria Vetra, uma bela e misteriosa cientista italiana, Langdon embarcando numa caçada sem trégua e repleta de ação através de criptas fechadas, catacumbas perigosas, catedrais vazias e indo até ao coração do mais secreto túmulo do planeta, Langdon e Vetra percorrerão uma trilha de 400 anos de existência e símbolos milenares.
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COMENTÁRIOS
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Ron Howard volta em Anjos e Demônios para dirigir uma adaptação do sempre polêmico Dan Brown. Neste filme, percebe-se que ele está mais bem capacitado a conduzir a história do jeito que ela merece. Em comparação ao O Código da Vinci, a câmera está mais ágil, flexível e capta melhor os belíssimos interiores da Praça e Basílica de São Pedro e da Capela Sistina, além das paisagens abertas e cenas aéreas. Entretanto, por ser muito clara e focada, a fotografia não dá o tom de ameaça iminente que se faz presente em cada fala dos personagens.
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Os personagens são apresentados bruscamente para o público, o que faz com que nós não nos importemos muito com a maioria deles. Alguns exemplos são Robert, Vittoria e Olivetti que tiveram toda a sutileza, independência e rigidez, respectivamente, excluídos de seus personagens. Tudo bem que talvez não houvesse tempo para nos detalhar sobre como cada um deles é em seu íntimo, mas que os personagens ficaram vazios nesse filme, ah, ficaram... Duas exceções ocorrem, porém: o camerlengo - como eu amo essa palavra, sapoksapoksa. - Patrick (que no livro se chama Carlo e teve a infelicidade de ter seu nome trocado) e o capitão Rocher, ambos perfeitamente encaixados em seus personagens.
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Apesar de parecer que Hans Zimmer simplesmente adaptou a trilha principal de Código para Anjos e Demônios, ela tem um je ne se qua mais agressivo, explosivo e desesperador. E do segundo ato em diante podemos escutar toda a maestria de Hans, principalmente na cena em que - por algum motivo que eu não vou falar para não estragar a surpresa de quem não leu o livro - todos os personagens olham para o céu e vêem um show magnífico de luz e cores. Essa cena sozinha vale por todo o filme e, agora, uma semana depois de ter visto o longa, ainda me arrepio de lembrar da perfeição do ato.
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O filme tinha tudo para ser o melhor do ano (sim, inclusive melhor que Harry Potter 6 no aspecto história/roteiro.), mas, por algum motivo, temos a impressão de que algo está faltando. Algumas cenas desnecessárias e arrastadas ao extremo foram colocadas no filme aparentemente por vontade ou conveniência do roteirista, enquanto que outras cenas realmente importantes e apreensivas foram reduzidas a meros diálogos rápidos e cortes bruscos. Ainda assim, a trilha de Hans consegue disfarçar esse vazio muito bem.
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Outro fato que deixa o filme incompleto é a falta de informação para quem não leu o livro. Para aqueles que o fizeram, tudo ali faz completo sentido, porém temos o outro lado do público e parece que Akiva Godsman não estava nem um pouco interessado nele. As motivações dos personagens e explicações sobre os Illuminati foram condensadas em poucas linhas e o público não leitor teve simplesmente que aceitar.
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A cronologia dos eventos foi mudada, porém fez pouca diferença analisando a película como um todo. Alguns fatos no filme conseguiram - incrivelmente - superar o livro, tais como [pequeno spoiler] Robert ter recebido de presente os arquivos pelos quais tanto requisitou ao invés dos ferros de marcar, no livro [fim do minúsculo spoiler, tem certeza de que não quer ler?]. Outro que merece destaque foi com certeza o desfecho do camerlengo, que foi tido como herói pelos fiéis, uma clara alusão - e não quero dizer aqui que é verdadeira ou não - de que a Igreja prefere que seus seguidores sejam iludidos pela fé a terem a verdade jogada em suas caras. Falando no diabo na Igreja - ok, não pude resistir - a maioria daquilo que poderia ofendê-la foi retirado do filme por algum motivo desconhecido, talvez o Vaticano até leve seus fiéis para uma sessão pública um dia.
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Enfim, vou parar de comparar o filme ao livro, pois como disse lá em cima, são duas obras completamente diferentes, mas que no final, tem um só propósito: entretenimento. Se é isso que você está procurando, então pode ter certeza de que vai encontrar.
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Nota: 9,3
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P.S.: Será que só eu achei a atuação de Tom Hanks igual ou quase pior que em Código? E o que fizeram naquele cabelo dele? A classificação do filme como drama foi dada pela rede Severiano Ribeiro, eu não tenho nada a ver com isso. Alguém mais reparou que nos pôsteres do filme a palavra Demônios vem em negrito em comparação à palavra Anjos? Porque será? (Se não percebeu, clique no pôster acima, veja em maior tamanho e compare.) Me.do.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

∂єιxє-α єитяαя


Um filme único, romântico, poético, depressivo e comovente. O melhor de tudo? Sobre vampiros!
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DEIXA-A ENTRAR
Diretor: Tomas Alfredson
Distribuidora: Castello Lopes
Ano: 2008
Gênero: Terror/Drama
Oskar tem 12 anos e é um garoto ansioso e frágil, constantemente provocado pelos colegas de classe. Com a chegada de Eli, uma garota séria e pálida da mesma idade, que se muda para a vizinhança com o pai, Oskar ganha uma amiga. Quando a cidade começa a ser assombrada por uma série de assassinatos e desaparecimentos inexplicáveis, o menino, fascinado por histórias horripilantes, não demora a perceber que a amiga é vampira. Os dois acabam se apaixonando e a vampira lhe dá a coragem para lutar contra seus agressores.
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COMENTÁRIOS
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Filmes sobre vampiros sempre atraíram minha atenção. De Vampiros de John Carpenter, passando por Drácula 2000 e Entrevista com o Vampiro até Crepúsculo, posso afirmar com certeza absoluta que nenhum outro filme sobre esse tema é tão tocante, belo e sensível quanto Deixa-a Entrar. Aqueles que estão acostumados com filmes de Hollywood, - totalmente desprovidos de emoção e nos quais há galões de sangue esguichando pelas paredes - não precisam nem continuar a ler este post. Deixa-a Entrar é um filme que precisa, antes de tudo, que o espectador queira entender, gostar e deixar-se levar pela história.
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A fotografia do filme é melancólica e perfeita para a história que se quer contar. Em alguns momentos, a paisagem cheia de neve e quase incolor nos transmite a sensação de pesar que toma conta da vida dos dois protagonistas, enquanto que em outros momentos de paisagens exuberantes, ela parece preencher o vazio que existe entre eles.
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A trilha sonora - quase inexistente - é um dos poucos defeitos do filme. Há sempre aquela sensação de que algo está para acontecer e, quando acontece, a trilha incidental não favorece muito as cenas. Talvez seja um artifício usado para aumentar ainda mais a nossa agonia.
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Sentimentalmente, Deixa-a Entrar é um filme muitíssimo pesado. Ele nos retrata a adolescência de Oskar, um garoto amargurado, reprimido pelo pai e violentado por colegas de escola. Do outro lado, além de adolescente, Eli é uma vampira - já não bastava ser um dos dois? - de muitos e incertos anos condenada a viver eternamente no corpo de uma garotinha. No filme, os dois lutam por aquilo que desejam e descobrem, com o passar do tempo, que precisam cada vez mais um do outro. Oskar deseja se vingar de seus agressores e Eli é a fortaleza que o ensina a ser bravo. Eli precisa de alguém que cuide dela e a ensine novamente a ver a beleza nos sentimentos que ela não pode sentir há muito tempo. É uma relação de dependência inteiramente pura e sensível, pelo menos por parte do garoto. Eli sabe, contudo, que não pode ficar perto de Oskar, pois isso põe em risco sua humanidade e, em um dos momentos mais belos do filme, abdica de seu amor para não condená-lo à vida eterna. Outra cena memorável e repleta de agonia é aquela em que descobrimos o que acontece a um vampiro caso ele entre numa casa sem ser convidado. A cena é forte e perturbadora, a ponto de vermos o desespero nos olhinhos de Oskar, que não sabe o que fazer para consertar a situação. Logo depois, temos um dos momentos mais românticos do filme.
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Falando em romance, está aí um dos três problemas do filme. Deixe-a Entrar é uma história tão carregada de sentimentos que não conseguimos encontrar um gênero certo para o filme, ficando em um meio termo entre o romance, o terror e o drama. Eu fico com o drama, se bem que em algumas partes o filme chega realmente a dar medo. Não aquele medo de sustos, claro, mas aquele medo de um perigo iminente e que nenhum personagem, por melhor que seja, está a salvo. O segundo problema são os cortes rápidos das cenas, em alguns momentos, chegando até a cortar as expectativas que criamos para o momento. Por fim, o que mais me aborreceu foi o excesso de independência dos personagens e o dinheiro ilimitado para fazerem o que derem na telha apesar de serem apenas adolescentes. Tudo bem que o final do filme é lindo, mas nada justifica tanta liberdade para que Oskar faça o que fez. No fim das contas, os pais de Deixa-a Entrar, que deveriam ser um empecilho para o relacionamento entre Eli e Oskar, são nada mais que meros figurantes que apenas entram para justificar tamanha depressão do garoto.
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Apesar desses três erros, o filme não perde sua glória. A mensagem que se tem ao final do filme é que muitos de nós têm vidas vazias até que alguém entre em nosso mundo e o transforma, nos fazendo ouvir, ver e sentir tudo aquilo que não podíamos simplesmente por não termos ninguém por quem valesse a pena viver. No amor, é preciso amar para ser amado. E é essa relação de dependência entre as duas partes que Oskar e Eli tentam nos fazer compreender.
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Nota: 8,7
P.S.: Raíssa, obrigado pelo download! \o/

domingo, 12 de abril de 2009

єиѕαισ ѕσвяє α cєgυєιяα


“Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento [...]. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.” – José Saramargo sobre o livro.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
Diretor: Fernando Meirelles
Produtor: Andrea Ribeiro/Niv Fichman/Sonoko Sakai
Distribuidora: Fox Filmes
Ano: 2008
Gênero: Drama

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Adaptação do premiado livro escrito por José Saramago, mostra uma inexplicável epidemia chamada de "cegueira branca", já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a doença surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo estado começam a falhar as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. Nesta situação a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico (Julianne Moore), que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.
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COMENTÁRIOS
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Com a sinopse acima, é bem difícil comentar qualquer coisa sem estragar nenhuma parte do filme. Comecemos, então, pela parte técnica.
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Filmado quase 80% em um manicômio abandonado, Ensaio é um filme que sabe utilizar muito bem os reflexos, planos abertos, filmagens por trás de grades e barras e câmeras jogadas e penduradas em qualquer lugar. Todos esses fatores levam ao espectador um clima de apreensão, desleixo e angústia, conseguindo, assim, provocá-lo ao extremo.
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A fotografia é praticamente incolor, aproximando-se do tom de branco constantemente. A trilha incidental é escassa, mas extremamente coerente com todos os momentos em que está presente. A filmagem, com poucos momentos de exceção da câmera que narra a história, não é considerada muito importante e pega quadros que qualquer outro diretor de cinema abominaria. Rostos e outras partes do corpo dos personagens são cortadas pela metade e em vários momentos a imagem é desfocada propositalmente. O cenário é imundo e sombrio. Ao fim, tudo contribui para angustiar o espectador e, no caso dos mais fracos, até mesmo chocar. As atuações estão excelentes, com exceção de Mark Ruffalo, que parece esperar seu personagem ficar cego para poder interpretá-lo coerentemente. Com certeza, a atuação de Julianne Moore foi a melhor de sua carreira; nos fez rir (em pouquíssimos momentos), vibrar e, principalmente, nos fez sentir sua dor em todas as cenas em que está presente.
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Sobre os personagens. Nem todos são desenvolvidos por completo, mas até o ponto suficiente para que nos importemos com o destino de cada um. Um fato curioso (e cruel) é o de personagem algum ter nome, sendo todos reconhecidos apenas por suas profissões ou ligação sentimental, sugerindo-nos que, no momento em que aqueles indivíduos perderam a visão, perderam também sua identidade.
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O espectador é tratado como um voyeur e representado pela Mulher do Médico. Constantemente, cenas de violência, perturbação e pressão são expostas às nossas vistas com o intuito de nos provocar. Tem-se aí o exemplo da nudez, muito bem utilizado, onde é impossível que nós, mesmo sabendo que tudo aquilo é ficção, observemos a intimidade de um personagem sem sentir o mínimo de constrangimento.
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A visão ali é uma metáfora para tudo aquilo que nos torna humanos e, conseqüentemente, maus: o pré-julgamento, a insensibilidade, a indiferença e a falsidade. É justamente quando os personagens – que, na verdade, representam todos nós – perdem a visão que começam a ver como são (se preferir: como somos) de verdade: sujos, cruéis, egoístas e animalescos, mas que, precisando conviver e aceitar nossa relação de dependência para com os outros, controlamos nossos impulsos e nos abrimos a possibilidades como o amor e tolerância. É no estado (no caso, de cegueira) em que somos todos realmente iguais que podemos nos encontrar inteira e interiormente, para aí, corrigirmo-nos e tornarmo-nos seres políticos. Tudo isso pode ser resumido à frase de Saramargo: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
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Cada mínimo segundo do filme é essencial para o entendimento da história. Cada cena é especialmente significativa. Ensaio é o filme que deixa a garganta apertada, que nos faz segurar o choro como uma criança envergonhada, que nos provoca, nos humilha sem medo de nossa reação, nos testa, e que não tem medo de mostrar o quanto nós, humanos, somos cruéis e repulsivos. Ensaio é o filme mais angustiante, deprimente, claustrofóbico e corajoso ao qual já assisti, sem, contudo, esquecer o que o torna tão assustador: o fato de, bem lá no fundo, ser real.
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“Metade de nós é feita de indiferença e a outra metade, ruindade.” – José Saramargo.
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Nota: 10

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

нσмєм-αяαинα ιιι


Único. Essa palavra pode descrever todo o filme. Completamente diferente dos outros dois, este soube aproveitar elementos que deram certo e descartar alguns que não foram tão bons, o que - mesmo assim - não conseguiu evitar algumas inconsistências na história. É um filme único, mas que sofre de transtorno bipolar.
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HOMEM-ARANHA 3
Diretor: Sam Raimi
Produtor: Columbia Pictures/Marvel Enterprises
Distribuidora: Sony Pictures Entertainment
Ano: 2007
Gênero: Aventura
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Peter Parker conseguiu encontrar um meio-termo entre seus deveres como o Homem-Aranha e seu relacionamento com Mary Jane. Porém o sucesso como herói e a bajulação dos fãs, entre eles Gwen Stacy, faz com que Peter se torne auto-confiante demais e passe a negligenciar as pessoas que se importam com ele. Porém a situação muda quando ele precisa enfrentar Flint Marko, que possui ligações com a morte do seu tio Ben. Tendo que lidar com o sentimento de vingança, Peter passa a usar um estranho uniforme negro, que se adapta ao seu corpo.
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COMENTÁRIOS
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É difícil falar sobre Homem-Aranha já que desde que eu era pequeno, ele sempre foi meu herói favorito. Nesse filme, muitas coisas mudam, inclusive a visão do diretor sobre o público. A platéia é tratada com mais respeito, o tema sentimental é mais bem desenvolvido (não tanto quanto poderia), a história é mais madura e, sim, forte. É aí que está o problema. Tio Raimi não sabe quando é hora de deixar o tom infantil de lado para agradar aos adultos, ou quando deve esquecer um pouquinho dos adultos e voltar sua atenção aos pequenos.
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A maior inconsistência do filme se dá na questão sentimental. É inegável que a história está mais trágica e pesada, mas mesmo assim consegue provocar boas risadas. O filme provoca confusão - e até aborrecimento em alguns, como no meu caso - ao não deixar claro qual o gênero que querem trabalhar nele. Um momento excelente de drama é repentinamente seguido por uma sequência de comédia excêntrica e vice-versa. Esse "transtorno bipolar" é o que não permite ao diretor aprofundar mais nos sentimentos dos personagens, o que dá no público a sensação de que os personagens não têm uma personalidade definida. Contanto, isso pode ter sido apenas uma consequência de outro problema: O excesso de histórias que quiseram contar em pouco mais de duas horas.
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Toda a série do Homem-Aranha poderia ter rendido uns oito (bons) filmes de duas horas. O que parece ter acontecido neste terceiro foi que quiseram resumir toda a história da série em um único filme caso não pudesse haver um Homem-Aranha 4. O relacionamento entre Peter e Mary Jane parece ser o centro da trama da terceira película, mas a partir do momento em que descobrimos a verdade sobre o assassinato do Tio Ben, o tema fica em segundo plano, porém, consegue ser bem trabalhado. Junto com a descoberta do "verdadeiro" assassino de Ben, a vingança começa a se apoderar de Peter e ele parte em uma busca amargurada ao encontro do bandido. Esse seria outro tema que poderia ter rendido muito mais se não fosse pela necessidade da presença dos vilões. Já não bastasse o Homem-Areia, Harry e Edward chegam para completar o "trio do mal", tornando todo o resto da história um simples pano de fundo. Ao final, todas as histórias começadas são encerradas de maneira grandiosa ou, no mínimo, satisfatória, mas com a típica sensação de que estávamos correndo contra o tempo. O que não é necessariamente um fator negativo, já que isso nos impulsiona a querer chegar ao fim.
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As atuações estão ótimas: Tobey já conseguiu reprimir a cara de peixe morto boa parte das duas horas e quarenta minutos, Kirsten Dunst está mais sensível para o papel e James Franco está simplesmente impecável na nova personalidade de um Harry sem memória e mais brilhante ainda após recuperar-se da amnésia. Rosemary Harris continua interpretando perfeitamente a adorável Tia May, que toca cada um de nós com suas falas mais profundas. J. K. Simmons continua dando um show como J. Jonah Jameson e garante os momentos mais divertidos do filme. Topher Grace também sabe fazer o incrível Venom com um toque um pouquinho mais humano e amável que o dos quadrinhos.
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Os efeitos melhoraram absurdamente entre o último filme e este. A trilha sonora não mudou muito, o que continua deixando a música contagiante como sempre e até decorável para os fãs mais alucinados - eu aqui.
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Na minha última observação, só queria constatar que Homem-Aranha é o super-herói mais humano entre todos os que já foram criados e talvez por isso seja tão fácil se deixar viajar por seu maravilhoso mundo. Se pudesse dar um conselho às famílias em geral, lhes diria para assistirem a Homem-Aranha e extraírem para suas vidas nem que seja um pouquinho da(s) (várias) mensagem(ns) que ele passa. É um filme que faz rir e chorar, odiar e amar, mas, acima de tudo, perceber que algumas coisas na vida são difíceis de reconquistar após serem perdidas.
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Nota: 9,7

domingo, 8 de fevereiro de 2009

cαтινєιяσ


O filme pode parecer muito promissor no começo, mas ao decorrer do longa, percebemos que será apenas mais um "filme de sábado à noite", o que, contudo, não tira toda diversão que ele pode lhe proporcionar.

CATIVEIRO
Diretor: Roland Joffé
Produtor: Foresight
Distribuidora: Europa Filmes
Ano: 2007
Gênero: Terror

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Ficar presa em uma cela sem saber onde está nem porque foi presa. É assim que acorda Jennifer, a bela e conhecida top model. Assustada com a situação, ela tenta descobrir o que está acontecendo. O clima é apavorante. Aos poucos se revela que Jennifer não está sozinha. Na sala ao lado um rapaz também luta desesperado para ver a luz do sol. Os dois somam forças, mas em vão. O local é um Bunker de concreto repleto de armadilhas mortais. Cada erro pode custar uma vida. Um final eletrizante e surpreeendente está por vir.
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COMENTÁRIOS
O filme tem a pretensão de superar a franquia Jogos Mortais; muita publicidade foi feita e a campanha acabou gerando polêmica nos Estados Unidos - como qualquer besteira por lá gera. É um filme com roteiro bem simples: 1) Público descobre a protagonista 2) Ela é seqüestrada 3) Mantida em cativeiro e sob tortura 4) Fim.
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Não é um filme complexo nem difícil de entender. A trama em si - analisada como um todo - não surpreende como a sinopse diz, às vezes ainda é bem previsível, mas garante ótimos sustos durante todo o longa. Para aquelas pessoas que já são acostumadas com filmes de suspense/terror com um twist no final, o fim de Cativeiro não vai surpreender, contudo, para aqueles que assistem ao filme de cabeça aberta, sem esperar nada demais dele, podem acabar tendo uma surpresa.
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Não há muito diálogo no longa, apenas alguns gritos aqui e resmungos alí, o que aumenta ainda mais a tensão. As atuações, logicamente pela facilidade do roteiro, estão boas, porém o filme não consegue se livrar de um estereótipo crítico que todo filme de investigação tem: A satirização dos policiais. O filme não é tão violento quanto a publicidade sugeria, mas é bem desgostoso. Algumas cenas - como a vitamina de orgãos humanos - são de apertar o estômago e fazer parar de comer a pipoca com medo de que se possa passar mal. Os protetores dos animais certamente não vão gostar de uma parte do filme, que para quem tem o estômago forte, não passa de uma cena tensa.
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Por fim, a (escasa) trilha sonora está razoável, mas poderia ter sido mais bem aproveitada. Se houvesse um pouco mais de empenho pela parte dos produtores - como houve para a produção da excelente música tema -, ótimas composições poderiam ter integrado o filme.
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No mais, é um clássico filme que tenta causar a sensação de claustrofobia no telespectador e criar uma certa repulsa, às vezes dá certo, outras não - porquê Hollywood ainda insiste em usar os já manjados ratinhos brancos para causar repulsa? O filme tinha potencial para ser diferente de todos os outros sobre o mesmo tema, mas os roteiristas preferiram não arriscar e seguir a fórmula pronta. Se é melhor que Jogos Mortais ou não, isso é o telespectador quem decide.
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Como já explicado, não é um filme que merece o Oscar ou que vai entrar para o hall dos seus favoritos, mas que pode ser uma boa opção para um fim de semana chuvoso.
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Nota: 8

terça-feira, 7 de outubro de 2008

σ σяfαиαтσ

O filme começa inocentemente, como se fosse apenas mais um de sessão da tarde. A partir da segunda fala, você percebe que não vai ser assim por muito tempo...

O ORFANATO
Diretor: J.A. Bayona
Produtor: Guillermo del Toro
Distribuidora: Warner Bros. Pictures de España
Ano: 2007
Gênero: Drama/Suspense


Laura passou os anos mais felizes de sua infância num orfanato à beira do mar. Trinta anos depois, ela retorna com seu marido, Carlos, e Simon, o filho de sete anos, com o sonho de restaurar e reabrir o orfanato há muito abandonado como abrigo para crianças inválidas. O novo lar e seus mistérios despertam a imaginação de Simon e o menino cria brincadeiras perturbadoras. Carlos permanece cético, mas Laura aos poucos se convence de que algo terrível vagueia pela velha casa, algo que espera emergir e infligir danos extremos à sua família.

COMENTÁRIOS

O filme começa feliz, descontraído, mas nem por isso você pode deixar de prestar atenção. É um filme que a cada minuto tem referência à uma cena anterior. Simon, coadjuvante, apesar de ter uma meiguice no olhar, dá arrepios em seus momentos de frieza.

O filme vai se encaixando aos poucos. É preciso notar com atenção cada detalhe, como o comprimido que Simon toma ao se levantar, como as conchas que ele marca o caminho de casa e muitas outras "pontas" soltas, mas que no final se ajeitam.

Na cena em que a mãe conta a história da luz invisível do farol, temos uma referência de como as mães são capazes de imaginar as mais incríveis loucuras para nos deixar tranqüilos. Já uma referência ao desleixo do pai para com o filho são as repetidas cenas onde o pai, ao ouvir a criana chamar por alguém, diz que é sua vez de ir ao quarto do filho; mas nunca consegue se levantar.

Destaque para o melhor do filme:
1: A angustiante e apreensiva cena onde a mãe conversa com a criança mascarada no corredor do 2º andar,
2: A engraçadíssima fala de Simon quando seus pais o sentam numa cadeira para lhe contar a verdade,
3: A mais-que-perfeita cena da primeira caça ao tesouro,
4: A sinistra tomada da perambulação da médium pelo orfanato.
Além disso, a trilha sonora, o jogo de luzes, e as paisagens perfeitamente escolhidas - e que lembram o filme "Escuridão" - também estão de parabéns.

O filme começa bem, e consegue prender o espectador até o fim, não caindo em nenhum momento, o meio é empolgante e, o final, nada mais que chocante, além de ser ao mesmo tempo bonito e inteligente. Os diretores e escritores de suspense norte-americanos poderiam realmente pegar aulas com essa turminha da Espanha, que atualmente vem batendo de 10x0 nas produções de Hollywood.

Nota: 9,2